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A CORRUPÇÃO É UM VÍRUS PODEROSO!

PRÉDICA PARA O 22º DOMINGO APÓS PENTECOSTES Dia de todos os Santos | | Texto bíblico: Miquéias 3. 5-12 | Dari Appelt |

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1º de novembro de 2020 – Dia de todos os Santos: P. Dari Jair Appelt :Timbó – Santa Catarina, Brasilien – [email protected]
Auarta – feira, | atualiza 8 de Setembro,  2021 | 16h14 – Nazaré Paulista – SP – Portal de Notícias – Por Editor: Bp Sérgio Oliveira
Passar a ter domínio sobre a sua própria vida; ser capaz de   tomar decisões em nome do insuportável … 
Quanto à Democracia: fortifica convicções, com Deus acima de todos, e o povo ao seu lado Patriota! vença as diferenças! Não Há Justiça Sem Deus!  (grifo nosso!

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DIVULGAÇÃO

Introdução
Graça e paz a vocês que são perseverantes na fé e resistem corajosamente a ofertas que comprometem a dignidade. Amém.
A abordagem de um texto tão desafiador faz a gente se perguntar: de quem é hoje a missão de usar da voz profética para denunciar o que não combina com a vontade de Deus?

Corrupção é um assunto permanente na cena brasileira. Não passa um só dia em que não surja notícia ou denúncia de corrupção em alguma parte do país. Outros países não estão imunes a esse vírus que gera indignação e mesmo assim cresce e contamina de acordo com a oportunidade que tem. Ele atinge todas as áreas da sociedade, inclusive a vida religiosa. Sim, sofreu mutações e avançou para além das fronteiras da política e economia. Trata-se da corrupção da fé, também disseminada em nosso país, como se pode ver no noticiário dos jornais que volta e meia apontam para as práticas desonestas e imorais de segmentos do cristianismo brasileiro.

A prática da corrupção é coisa antiga, existente desde quando surgiram os primeiros regimes políticos, há alguns milhares de anos. A corrupção da fé também é antiga. Já no oitavo século antes de Cristo, o profeta Miquéias fez uma veemente denúncia dessa prática no reino de Judá. Aliás, praticamente todos os profetas bíblicos abordaram o problema. E é interessante notar que os padrões de ocorrência da corrupção da fé em sua época se repetem em nossos dias, em nosso país.

      A corrupção da fé floresce em um tempo de desigualdades e injustiças sociais

O profeta Miquéias se empenha na missão e alerta contra a falsa religião e arrogância por parte dos profetas aliado ao roubo e à corrupção dos governantes da nação. Miquéias se preocupa com as injustiças que sofrem os trabalhadores do campo. Naquela época, judeus ricos e poderosos estavam aos poucos se apossando das propriedades dos camponeses pobres e endividados, comprando-as por preço vil e anexando-as a outras terras já adquiridas. Com isso formavam grandes fazendas, onde exploravam a mão de obra dos próprios camponeses que lhes haviam vendido suas pequenas glebas. Interessante é observar o que Deus diz através do seu profeta: Ai daqueles que antes de se levantarem de manhã já fazem planos para explorar e maltratar os outros! E logo que se levantam fazem o que querem, pois são poderosos! Quando querem… não respeitam a família nem a propriedade de ninguém. (Mq 2.1 e 2) E, mais adiante no v.11 lamenta: O profeta que essa gente prefere é aquele que anda pregando mentiras e falsidades, prometendo vinho e cerveja para todos. Dessa forma Miquéias denuncia falsos procedimentos por parte daqueles que têm a missão de praticar a justiça e a verdade; os falsos profetas que iludem e levam o povo à ruína.

Como resultado do esmagamento do povo humilde da zona rural, sua alternativa era migrar para a periferia de Jerusalém e de Samaria, onde tinha que trabalhar duramente em subempregos para tentar sobreviver. O principal trabalho era a construção das casas e palácios dos ricos e poderosos. Por isso Miquéias denuncia: “Escutem, líderes e autoridades de Israel! Vocês odeiam o que é bom e torcem a justiça. Vocês estão construindo Jerusalém, a cidade santa, sobre um alicerce de injustiças e de crimes de sangue.” (3.9 e10). Por causa da miséria e da falta de perspectiva, esses pobres da periferia se tornavam presa fácil de falsos profetas que, em troca de suas últimas posses, lhes faziam promessas mirabolantes de sucesso e vitórias. Quando não havia mais nada a tomar dos pobres, os falsos profetas se tornavam seus algozes (cf 3.5).

O crescimento vertiginoso em nosso país das “igrejas” que tomam dinheiro dos pobres, explorando sua fé e enchendo os bolsos dos seus líderes e donos, é a exata repetição daquilo que acontecia no tempo de Miquéias. As bênçãos que a gente humilde busca para sua vida são prometidas em troca da sua contribuição financeira, que muitas vezes representa tudo que a pessoa tem. Quando cessa a contribuição, cessam também as profecias de prosperidade. Quando as falsas esperanças projetadas não se cumprem, os fiéis se desiludem e perdem a capacidade de crer. É importante observar que atrás de todo ato de opressão há ideologia que apoia. As autoridades e os abastados necessitavam de base de ordem moral que justificasse sua conduta e acalmasse algum escrúpulo. É aqui que entra o falso profeta com suas promessas de paz e bem-estar.

Quão diferente era o ministério do fiel pregador Miquéias! Ele estava cheio do poder do Espírito do Senhor (3.8) Ele reprovou corajosamente a prática dos líderes da nação e sua falsa religiosidade ao dizerem que o Senhor estava com eles, e que nenhum mal aconteceria (3.11).O profeta expõe cruamente a corrupção que grassava no país: “Os seus chefes dão as sentenças por suborno, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas advinham por dinheiro; e ainda se apoiam no Senhor, dizendo: O Senhor está no nosso meio, por isso nenhum mal nos sobrevirá.” (3.11). Por tudo isso, os chefes, tanto do Estado como da religião, são aqueles a quem essa mensagem é endereçada, pois trabalhavam de mãos dadas.

Junte-se a isso, o fato de que os impérios egípcio e assírio entraram em decadência e deixaram de ameaçar o território judeu com suas incursões ao sul e ao norte, respectivamente. Isto trouxe um período de paz e prosperidade ao reino de Judá. Todavia, a estabilidade política e financeira levava os ricos a ficarem cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Por isso, os juízes, governantes, sacerdotes e profetas corruptos diziam: “Estamos em meio a um grande avivamento. Deus está conosco e está nos abençoando grandemente.”

Entretanto a reforma de Ezequias não transformou o povo, pelo contrário, produziu meramente formalismo religioso, porque apenas restaurou o culto levítico, sem conseguir que os judeus praticassem a Lei do Senhor. Ora, sabemos que ativismo religioso, reuniões grandiosas e ofertas generosas não constituem avivamento.

* Líderes no governo e líderes evangélicos falavam em avivamento a partir de mudanças e reformas em andamento, mas veio a pandemia, e com ela, o desemprego e a crise, fechamento das igrejas para não haver aglomeração de pessoas e muitas restrições porque a palavra de ordem era preservar vidas. A própria imprensa secular falava em avivamento. Mas não há confissão de pecados, não há arrependimento, não há conversão, não há transformação social. A falácia a respeito desse “avivamento” e a própria pandemia estão mascarando a corrupção. Como no tempo de Miquéias, os modernos falsos profetas produzem mensagens com promessas de soluções para iludir a população e tirar proveito da situação.

Miquéias disse que os sacerdotes ensinavam por interesse e os profetas adivinhavam por dinheiro (3.11). Proclamavam paz enquanto tinham o que comer (3.5). O critério que regia o ensino e a pregação deles era o poder econômico. A pergunta era “Quem paga mais?” e não “O que diz o Senhor?”. A pregação e o ensino eram uma prestação de serviços a quem podia pagar por eles. Assim, eram acobertados os vícios, as injustiças, a desonestidade, a imoralidade, etc., em troca de altas compensações financeiras. O ensino e a pregação eram um serviço sob encomenda.

Os abusos contra os pobres e as injustiças sociais eram justificados por uma teologia torta e uma ética capenga, as quais ensinavam que as desigualdades sociais eram perfeitamente aceitáveis em vista da prosperidade da nação. Miquéias diz que eles se apoiavam em Deus para justificar-se. Diziam: “Nenhum mal vai acontecer porque o Senhor está do nosso lado.” (v.11). Como quem diz: “Se estivéssemos fazendo coisa errada, Deus não estaria nos abençoando.”

Entretanto, a respeito de si mesmo, dizia Miquéias: “Mas, quanto a mim, o espírito do Senhor me dá poder, amor pela justiça e coragem para condenar os pecados e as maldades do povo de Israel.” (3.8). Miquéias era um solitário: a corrupção dos sacerdotes e profetas estava tão disseminada, que o verdadeiro profeta torna-se o exército de um homem só lutando contra o mal. O profeta, verdadeiro homem de Deus, não era conivente com o pecado do seu povo, pelo contrário, condenava-o com veemência, como se vê em toda a sua profecia.

Assim como no tempo de Miquéias, grande parte dos líderes de igrejas em nosso país pregam um evangelho de conveniência, comodista, a fim de atrair o máximo possível de frequentadores. É um evangelho em que tem valor o carisma e não o caráter, isto é, em que se valoriza “profecias”, “visões”, “dons espirituais”, “louvor”, “adoração”, etc., e não há nenhuma contrapartida ética, não é preciso viver o que se prega e se canta. É o evangelho da graça barata: sem cruz, sem renúncia, sem arrependimento e confissão de pecados, sem conversão verdadeira, sem amor ao próximo e sem justiça social.

Essa é uma das suas mais trágicas consequências. O profeta adverte os líderes corruptos: “Em vez de visões vocês terão escuridão…A luz do dia vai desaparecer para vocês….” (3.6,7). Na verdade isso já estava acontecendo mesmo no tempo de Miquéias, o que transparece na ironia de chamar os falsos profetas de “adivinhadores”. Em vez de ser a verdadeira mensagem do Senhor, sua pregação se transformou em mera “adivinhação”, prática proibida pela Lei de Moisés.

O Senhor não falava, não se manifestava, por um lado, porque não tinha porta-vozes confiáveis, e por outro lado, porque a esses falsos mensageiros não convinha pregar a verdadeira mensagem de Deus, pois esta condenaria francamente seu comportamento abominável, bem como o de seus companheiros de corrupção.

Diariamente, nos dias atuais, falsos profetas abrem a Bíblia, leem a Bíblia, mas não pregam a Bíblia. O texto bíblico é um mero pretexto para ensinar heresia, superstição, sugestões de autoajuda e pensamento positivo, para manipular o povo, para legitimar o autoritarismo, para disseminar preconceitos, para justificar uma cultura de guerra espiritual, para estimular individualismo e egocentrismo, etc. Mais do que analfabetismo bíblico, o que se vê é o uso criminoso da Bíblia para corroborar doutrinas e práticas que nunca estiveram na Bíblia. O resultado é que o povo que os ouve se torna biblicamente analfabeto e espiritualmente supersticioso, e essa ignorância os torna facilmente manipuláveis e os coloca sob o domínio férreo desses líderes corruptores da fé. O povo se torna espiritualmente estéril.

Segundo Miquéias, o futuro desse povo, desse sistema religioso e seus locais de culto, seria a destruição: “Portanto, por causa de vocês, Jerusalém vai virar um monte de pedras…” (3.12). A ferocidade dos guerreiros conquistadores que vinham do norte era conhecida. Eles não se contentavam com somente derrotar e escravizar a população, mas adotavam uma política de terra arrasada. Por isso a figura usada pelo profeta: as cidades eram destruídas de maneira a parecerem um campo que havia sido nivelado pelo arado.

Sabemos que isso aconteceu cem anos mais tarde, quando o Senhor “enviou o rei dos babilônios…Triste destino de um povo que foi corrompido e se deixou corromper naquilo que tinha de mais sagrado, que era a fé em Yahweh.

A corrupção da fé em nossos dias tem provocado não somente a destruição de pessoas, mas também a destruição da reputação do cristianismo, se não a reputação do próprio Deus. Hoje em dia existe um certo constrangimento em usar o título de evangélico, em vista do descrédito desse nome, provocado por líderes corruptos e cínicos, e igrejas que nada têm de evangélicas.

Conclusão

Cem anos depois da atuação de Miquéias em Jerusalém, outro profeta proclamou a mesma palavra, na mesma cidade, apontando e condenando a mesma corrupção da fé, que havia continuado e até aumentado durante esse século. Porém, os ouvintes desse profeta – Jeremias – não foram tão tolerantes como os ouvintes de Miquéias. Incomodados pela sua contundência, os sacerdotes e profetas corruptos pediram a condenação de Jeremias à morte, mas as autoridades de Judá não os atenderam, porque respeitavam Jeremias como um autêntico mensageiro do Senhor. O detalhe interessante desse episódio é que alguns anciãos defenderam Jeremias usando como argumento a atuação de Miquéias um século antes, dizendo que o rei Ezequias ouviu a mensagem deste último, temeu o Senhor e implorou a seu favor, e por essa razão o Senhor adiou o castigo profetizado por ele.

Essa é a única citação da palavra de um profeta em outro livro profético da Bíblia, o que mostra a importância do profeta Miquéias, mas principalmente mostra a importância de sua mensagem contra a corrupção da fé. Ainda hoje o Senhor nos adverte por meio de sua Palavra contra o perigo de corromper a fé. Mas, a profecia também deixa uma mensagem de esperança. O que nos move para frente é a capacidade de sonhar. A fé não nos deixa acomodar. Ainda haveremos de experimentar aquilo que o Senhor tem reservado para os seus vocacionados no batismo.

Que ele mesmo nos dê poder e graça para perseverar na verdadeira fé bíblica e profetizar. Que a Igreja, capacitada pelo Espírito do Senhor não se cale diante das injustiças e siga confiante seu caminho. Amém.

NÃO HÁ JUSTIÇA SEM DEUS

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